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Brasil pode recuperar grau de investimento em 3 anos, diz economista-chefe do Bradesco

Brasil pode recuperar grau de investimento em 3 anos, diz economista-chefe do Bradesco

Para Fernando Honorato, as agências de classificação de risco podem melhorar percepção do Brasil com cumprimento de teto de gastos e avanço da reforma da Previdência“

O economista-chefe do banco Bradesco, Fernando Honorato, acredita que a economia brasileira pode retomar o grau de investimento em três anos se o teto de gastos for cumprido e a reforma da Previdência sair do papel.

“Fazer a reforma da Previdência e garantir que o teto de gastos vai ser cumprido quase que automaticamente nos dá um upgrade pelas agências. Se o Brasil retoma algum crescimento, a receita fiscal aumenta, o déficit público cai mais rápido, e pode ser que em dois três anos, o Brasil chegue ao grau de investimento”, disse em entrevista ao G1.

A economia brasileira começou a perder o grau de investimento em setembro de 2015, quando a agência de classificação Standard and Poor's (S&P) retirou o selo de bom pagador da economia. O caminho foi seguido na sequência pela Moody’s e pela Fitch.

Embora haja bastante incerteza com o futuro da economia, sobretudo na parte fiscal, diante do quadro político incerto, Honorato acredita que o debate sobre a Previdência está maduro e os principais candidatos estão se mostrando favoráveis a uma reforma.

“Todos os candidatos têm dito que vão fazer a reforma da Previdência, cada um com seu desenho, cada um com as suas características”, disse.

A conversa com Honorato faz parte de uma série de entrevistas com economistas para debater o atual estágio da economia brasileira e os caminhos para a retomada do crescimento. Veja aqui as entrevistas já realizadas.

Como o sr. vê o desempenho da economia neste ano?

De um modo geral, a direção da política econômica está correta para colocar o Brasil numa trajetória de crescimento sustentável, basicamente estou falando do teto dos gastos, da reforma trabalhista e das próprias estratégias de redução de subsídio, incluindo o BNDES. Tudo isso gerou uma expectativa de que a economia cresceria perto de 3% neste ano. Antes da greve dos caminhoneiros, os indicadores de atividade estavam mostrando uma economia mais perto de 2%.

O que causava essa frustação antes da greve?

As incertezas fiscais pesam na economia, na taxa de juros de longo prazo, na expectativa de investimento. Isso faz com que a retomada seja mais lenta. E ainda há uma certa digestão da crise de balanço das empresas. Já notávamos uma certa frustração no crescimento antes da greve, mas continuávamos com a seguinte perspectiva: em algum momento a economia cresce. Se olhar para os estoques das empresas, eles estão muito reduzidos, isso indicava que o crescimento da demanda traria o aumento da produção. As famílias estão bem menos endividadas e a inflação estava muito baixa, o iria permitir uma taxa de juros muito reduzida. Inclusive, antes da greve, nós estávamos avaliando cortar a projeção da Selic que era de 6,25% para o fim deste ano para algo como 5,5% e 5,25%.

E qual foi o impacto da greve no desempenho da economia?

Quando vem a greve, ela confunde um pouco o quadro, certamente agrava a retomada de curto prazo e tira mais um pedaço do PIB. Ou seja, aqueles 2% vem para algo como 1,5%. A recuperação deste ano acaba sendo muito parecida com a do ano passado. O efeito direto da greve é até limitado, mas há o conjunto de incerteza que se associam a esses dois temas inicias, o fiscal e o balanço das empresas. A velocidade de recuperação é mais baixa do que imaginava, mas eu consigo olhar que, se a política econômica permanecer organizada em 2019, o Brasil tem plenas condições de voltar a crescer de forma acelerada.

Qual é a chance dessa política continuar organizada em 2019 diante o quadro eleitoral incerto?

É bastante grande. Há um incentivo de manter o teto de gastos. Tem candidato que fala um pouco mais para cá, mais pra lá, mas de alguma forma um controle de despesas vai continuar prevalecendo. É um incentivo importante porque ele dá a perspectiva de que essa inflação baixa pode se perpetuar. Com isso, o Brasil tem um ajuste que há muito tempo era esperado e ainda não aconteceu, que é a queda da taxa de juros de longo prazo. Há um segundo incentivo nas contas externas. O Brasil tem uma situação de balanço de pagamentos absolutamente confortável, tem um investimento direto elevado, as reservas são elevadas. Se as contas públicas forem equacionadas e o teto de gastos for cumprido, rapidamente a economia brasileira vai voltar a ser grau de investimento. Em 2021, 2022, é possível retornar para esse patamar.

A volta do grau do investimento pode ser tão rápida?

Fazer a reforma da Previdência e garantir que o teto de gastos vai ser cumprido quase que automaticamente nos dá um upgrade pelas agências de classificação de risco. Se o Brasil retoma algum crescimento, a receita fiscal aumenta, o déficit público cai mais rápido. E aí tem um fenômeno que é queda de juros longo prazo. Esse é ainda o maior peso na economia brasileira: o juro real no longo prazo é da ordem de 5,5%. O juro curto ajustou. Com a Selic a 6,5%, o juro real é de 2,5%. Nesse ponto, estamos atrás de México, Turquia, Rússia. O problema é o juro longo. Se fizer essa agenda, o juro longo cai e aí a dinâmica melhora muito. As agências conseguem incorporar isso.

Mas é um cenário bastante otimista diante do quadro atual das contas públicas.

Concordo. O buraco é muito fundo das contas públicas, sem sombra de dúvidas. Mas a perspectiva do ajuste estrutural da Previdência muda isso. Se a despesa está controlada, a receita vai crescer com o PIB e uma hora o ajuste se completa.

Para esse quadro se confirmar, é preciso aprovar a reforma da Previdência. Qual é a viabilidade da reforma num novo governo?

Eu vejo esse debate muito maduro. Todos os candidatos têm dito que vão fazer a reforma da Previdência, cada um com seu desenho, cada um com suas características. Acho que o debate avançou muito para mostrar o quão importante é a reforma para a sustentabilidade do médio prazo do país. Ficou muito claro também na comunicação mais recente da reforma de que ela não deixa de ser uma maneira de reduzir as desigualdades do regime.

Há essa percepção entre os investidores de que a reforma da Previdência amadureceu e deve sair do papel?

É claro que tem volatilidade associada ao tema, mas não vejo uma percepção generalizada de que a reforma da Previdência não vai ser feita. Ao contrário. Eu vejo a maior parte dos investidores apostando que o ajuste vai ser feito. Pensando em preços de ativos, olha o CDS brasileiro (Credit Default Swap, espécie de seguro contra o risco de calote e uma medida de percepção de risco da economia) está em 250 pontos. Um país que não faz reformas tem preços de ativos muito piores do que temos visto. Ou seja, a média dos investidores acredita que é mais provável que esse caminho vai ser seguido.

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